Especialista com mais de 27 anos na área, Ronaldo Lemos compartilha orientações práticas para equilibrar a rotina digital em família

 

Em outubro, mês em que celebramos as crianças, a reflexão sobre a presença da tecnologia na infância assume papel central. A discussão ganha novo fôlego com o lançamento do livro “O Monge, o Iogue e o Faquir: Corpo, Coração e Mente no Tempo das Máquinas” (Editora Todavia), do jurista e especialista em tecnologia Ronaldo Lemos. Escrita sob a perspectiva de um pai e embasada em observações globais,  da China aos Estados Unidos, a obra traz um capítulo inteiramente dedicado ao tema: “Escola, filhos e a geração IA”.”

“Crianças que aprenderam, ainda que de forma imperfeita, a sentir o próprio corpo, a nomear emoções e a pensar por conta própria terão mais ferramentas para se reorganizar quando se virem exaustas, viciadas ou perdidas em telas. Saberão o que estão perdendo, saberão onde dói e por onde começar. Sem essa formação, o desenvolvimento pessoal fica muito mais vulnerável a qualquer força externa que se apresente com respostas prontas: um feed, um aplicativo, um guru ou uma inteligência artificial”, destaca o autor no livro.

O autor elencou quatro pontos primordiais e dicas para pais e cuidadores que pretendem estabelecer limites e proporcionar uma relação mais saudável das crianças e adolescentes com os dispositivos digitais:

  1. Proteja seu cérebro: IA é ferramenta, não muleta mental

O risco é delegar todo raciocínio, redação, lições de casa e resolução de problemas para a IA. Há prejuízo no aprendizado e gera dependência intelectual.

– Tente resolver o problema ou escrever a primeira versão de um texto por conta própria antes de recorrer à tecnologia.

– Use a IA para tirar dúvidas de sintaxe, pesquisar referências ou revisar textos já feitos, nunca para pensar por você.

– Lembre-se: quem desenvolve pensamento crítico, criatividade e autonomia no mundo real é quem saberá extrair o melhor da tecnologia no futuro.

  1. Mantenha os pés no chão: máquina não é pessoa

A antropomorfização, tratar a IA como amigo, namorado, confidente ou terapeuta cria conexões ilusórias e isola o jovem de relações reais.

– Sempre lembre-se de que algoritmos não possuem sentimentos, empatia ou consciência; eles apenas preveem padrões de texto.

– Guarde desabafos, conselhos emocionais e conversas profundas para amigos reais, familiares ou profissionais de saúde mental capacitados.

– Trate a ferramenta apenas como um software interativo de busca e assistência técnica.

  1. Cuidado com a “Armadilha da Hiperprodutividade”

Usar a IA para gerar grandes volumes de conteúdo e acreditar que isso torna a pessoa superior ou mais talentosa que os outros.

– Foque no processo de aprendizado, não apenas na velocidade da entrega. Fazer algo rápido não significa ter assimilado o conhecimento.

– Mantenha a humildade: gerar um resultado por meio de um comando (prompt) não substitui o domínio real do assunto.

– Valorize o esforço, o estudo tradicional e a prática contínua como verdadeiras fontes de conhecimento.

  1. Fortaleça a vida fora das telas

Passar tempo excessivo interagindo com ambientes virtuais reduz o tempo de desenvolvimento físico, social e emocional.

– Estabeleça momentos de “detox digital” diários, especialmente durante refeições, momentos em família e antes de dormir.

– Priorize esportes, leitura de livros impressos, arte e encontros presenciais com amigos para exercitar o corpo e a mente.

O autor ainda reforça que a IA tem a capacidade de capturar  os seres humanos em lugares muito vulneráveis, sobretudo, em crianças e adolescentes que ainda estão em processo de formação. “Caso sua criança ou adolescente esteja em uma relação abusiva ou de dependência com a IA, primeiramente, a acolha e procure conversar sobre seus sentimentos. Logo em seguida, suspenda o acesso ao dispositivo”, afirma Lemos. 

Mundo virtual e mundo físico: complementaridade é a chave

A tecnologia se consolida como um recurso transformador no aprendizado, na ampliação da criatividade e no acesso à informação. No entanto, o benefício do ambiente virtual depende diretamente da sua coexistência com as experiências do mundo real. Atividades ao ar livre, leitura de livros impressos e brincadeiras tradicionais seguem insubstituíveis para o desenvolvimento motor, social e emocional na infância.

O grande desafio de pais e responsáveis é mediar essa convivência, estabelecendo limites saudáveis sem ignorar a presença positiva da tecnologia na rotina das novas gerações. Celebrar o Dia das Crianças também é reconhecer o valor da inovação e da descoberta, garantindo que o tempo de tela e as brincadeiras offline convivam em perfeita harmonia.

 

SERVIÇO

O Monge, o Iogue e o Faquir: Corpo, Coração e Mente no Tempo das Máquinas

Ronaldo Lemos · Editora Todavia · 192 páginas · R$ 79,90 · ISBN 978-65-5692-964-4

Lançamento: 4 de agosto de 2026, na plenária de abertura do Rio Innovation Week (Rio de Janeiro)

Pré-venda: amazon.com.br/dp/6556929646

Sobre o livro: ronaldolemos.com/livro